sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Talvez DEUS queira que tu, ao longo da tua vida, conheças muitas pessoas falsas, para que quando tu encontres as verdadeiras, as saibas estimar e dar graças por elas.Proverbio chinês
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Marie Teles
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Frases Inteligentes
Um Apólogo
Machado de Assis
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos", Editora Ática - São Paulo, 1984, pág. 59.
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MACHADO DE ASSIS
domingo, 20 de novembro de 2011
Pastor Martin Luther King
(15/01/1929 - 04/04/1968)
Eu tenho um sonho que meus quatro filhos um dia viverão em uma nação onde eles não serão julgados pela cor da sua pele mas pela conteúdo de seus caráteres.Eu tenho um sonho hoje.
Eu tenho um sonho que um dia lá embaixo no Alabama com seus vícios racistas, com seu governador tendo em seus lábios palavras de interposição e nulificação, um dia bem ali no Alabama, os garotinhos negros e menininhas negras serão capazes de andar de mãos dadas com os garotinhos brancos e menininhas brancas, como irmãs e irmãos.
Eu tenho este sonho hoje.
(15/01/1929 - 04/04/1968)
Eu tenho um sonho que um dia lá embaixo no Alabama com seus vícios racistas, com seu governador tendo em seus lábios palavras de interposição e nulificação, um dia bem ali no Alabama, os garotinhos negros e menininhas negras serão capazes de andar de mãos dadas com os garotinhos brancos e menininhas brancas, como irmãs e irmãos.
Eu tenho este sonho hoje.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
"O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem."
"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos."
"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
"Se tu vens às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz."
"Se tu choras por ter perdido o sol, as lágrimas te impedirão de ver as estrelas."
"Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa."
"Foi o tempo que dedicastes à tua rosa que fez tua rosa tão importante"
"Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direcção."
"Há vitórias que exaltam, outras que corrompem; derrotas que matam, outras que despertam."
"Não há uma fatalidade exterior. Mas existe uma fatalidade interior: há sempre um minuto em que nos descobrimos vulneráveis; então, os erros atraem-nos como uma vertigem."
Autor: Antoine de Saint-Exupéry
"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos."
"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
"Se tu vens às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz."
"Se tu choras por ter perdido o sol, as lágrimas te impedirão de ver as estrelas."
"Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa."
"Foi o tempo que dedicastes à tua rosa que fez tua rosa tão importante"
"Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direcção."
"Há vitórias que exaltam, outras que corrompem; derrotas que matam, outras que despertam."
"Não há uma fatalidade exterior. Mas existe uma fatalidade interior: há sempre um minuto em que nos descobrimos vulneráveis; então, os erros atraem-nos como uma vertigem."
Autor: Antoine de Saint-Exupéry
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Frases Inteligentes
domingo, 13 de novembro de 2011
O poder da esposa que ora
“Melhor morar numa terra deserta do que com uma mulher rixosa e iracunda” (Provérbios 21.19)
Quem até o momento pensou e falou que o poder das mulheres estava na língua, ou no falar, enganou-se, pois o livro de Stormie Omartian traz uma mensagem sobre o poder que as mulheres tem quando elas estão em oração.Ao ler este livro, descobri que as mulheres tem uma força tremenda quando elas usam a fé. O homem traz uma referência de força física, já a força da mulher está no pensamento, principalmente quando esse pensamento leva-lhe a Deus.
A autora revela como a mulher pode salvar um casamento fracassado usando o poder da oração, pois as mulheres tem estratégias criativas para cultivar seus relacionamentos, porém muitas vezes essas técnicas são falhas, tais como, plásticas, estéticas, terapias, simpatias etc. Também, somente a oração não adianta, tem que haver por partes das mulheres compreensão e perdão e atitudes que as levem usufruir de uma boa convivência com seu companheiro.
“Fique quieta e ore”
“Tudo que você pensa em falar com seu esposo, fale com Deus.”
“Melhor morar numa terra deserta do que com uma mulher rixosa e iracunda” (Provérbios 21.19)
Quem até o momento pensou e falou que o poder das mulheres estava na língua, ou no falar, enganou-se, pois o livro de Stormie Omartian traz uma mensagem sobre o poder que as mulheres tem quando elas estão em oração.Ao ler este livro, descobri que as mulheres tem uma força tremenda quando elas usam a fé. O homem traz uma referência de força física, já a força da mulher está no pensamento, principalmente quando esse pensamento leva-lhe a Deus.
A autora revela como a mulher pode salvar um casamento fracassado usando o poder da oração, pois as mulheres tem estratégias criativas para cultivar seus relacionamentos, porém muitas vezes essas técnicas são falhas, tais como, plásticas, estéticas, terapias, simpatias etc. Também, somente a oração não adianta, tem que haver por partes das mulheres compreensão e perdão e atitudes que as levem usufruir de uma boa convivência com seu companheiro.
“Fique quieta e ore”
“Tudo que você pensa em falar com seu esposo, fale com Deus.”
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LIVROS
À ESPERA DOS FILHOS DA LUZ
Inspirada nas palavras que transmite a seu público diariamente no programa Mais Você, Ana Maria Braga escreveu uma história que vai dar início a uma viagem rumo aos mais diferentes sentimentos que habitam o coração dos seres humanos.
Você conhecerá Ana Clara, uma menina que pode mudar o curso dos acontecimentos do lugar onde vive por meio de seu maior poder: o amor.
Um romance emocionante que mostra como o carinho, a fé e a esperança podem mudar a vida de todas as pessoas.
Este romance conta a história de Ana Clara, uma jovem dotada de poderes especiais que nasceu em um misterioso Vilarejo medieval.
Através daquele que é, de fato, seu maior poder – o amor – ela mudará o destino das pessoas e os acontecimentos da região onde mora.
Mas, muito mais do que um romance, este livro é uma fonte de inspiração que ajudará o leitor a valer-se de atitudes mentais positivas a partir dos eventos bons e ruins, sempre presentes em nossas vidas, para superar as adversidades.
Sob uma nova ótica, os sentimentos antagônicos que rodeiam a nossa rotina (fé e descrença, amor e ódio, esperança e derrotismo, paixão e decepção, perdão e orgulho, medo e coragem, uniões e separações) podem influenciar nossas atitudes em pequenos momentos, e, assim, determinar o rumo de nossas vidas.
Inspirada nas palavras que transmite a seu público diariamente no programa Mais Você, Ana Maria Braga escreveu uma história que vai dar início a uma viagem rumo aos mais diferentes sentimentos que habitam o coração dos seres humanos.
Você conhecerá Ana Clara, uma menina que pode mudar o curso dos acontecimentos do lugar onde vive por meio de seu maior poder: o amor.
Um romance emocionante que mostra como o carinho, a fé e a esperança podem mudar a vida de todas as pessoas.
Este romance conta a história de Ana Clara, uma jovem dotada de poderes especiais que nasceu em um misterioso Vilarejo medieval.
Através daquele que é, de fato, seu maior poder – o amor – ela mudará o destino das pessoas e os acontecimentos da região onde mora.
Mas, muito mais do que um romance, este livro é uma fonte de inspiração que ajudará o leitor a valer-se de atitudes mentais positivas a partir dos eventos bons e ruins, sempre presentes em nossas vidas, para superar as adversidades.
Sob uma nova ótica, os sentimentos antagônicos que rodeiam a nossa rotina (fé e descrença, amor e ódio, esperança e derrotismo, paixão e decepção, perdão e orgulho, medo e coragem, uniões e separações) podem influenciar nossas atitudes em pequenos momentos, e, assim, determinar o rumo de nossas vidas.
O Livro
“A menina que acabara de nascer seria uma iluminada. Era evidente que ela tinha algo de diferente: um brilho e uma doçura, até quando chorava de mansinho, como se já percebesse o mundo à sua volta e pudesse criar uma leveza capaz de amenizar a dor de um dia triste.”
Ana Clara não imaginava que seu encanto, tão natural para ela, fosse um ímã para as forças mais harmoniosas do Universo.
Fruto de um amor proibido entre uma plebeia e o conde de uma pequena vila erguida no século XIV, a menina cresce em uma floresta, para onde a mãe fugiu quando ficou grávida.
A vida livre em meio à natureza termina quando sua mãe, Rebeca, decide voltar à terra natal, de onde saiu atormentada pela vergonha e pelo medo.
É nesse lugar que Ana Clara começa a sentir seu poder transformador e decide seguir seu coração: ao se descobrir uma Filha da Luz, a jovem se depara com uma série de misteriosos pergaminhos com instruções para que ela e todos os outros Predestinados assumam sua missão de promover a felicidade no planeta. E a saga não termina aqui: há muito mais a ser desvendado e transformado no mundo.
Ana Clara recebe mais e mais pergaminhos, e enigmáticas mensagens exigirão ainda muito tempo e energia para que sejam completamente decifradas.
FONTE: Internet.
“A menina que acabara de nascer seria uma iluminada. Era evidente que ela tinha algo de diferente: um brilho e uma doçura, até quando chorava de mansinho, como se já percebesse o mundo à sua volta e pudesse criar uma leveza capaz de amenizar a dor de um dia triste.”
Ana Clara não imaginava que seu encanto, tão natural para ela, fosse um ímã para as forças mais harmoniosas do Universo.
Fruto de um amor proibido entre uma plebeia e o conde de uma pequena vila erguida no século XIV, a menina cresce em uma floresta, para onde a mãe fugiu quando ficou grávida.
A vida livre em meio à natureza termina quando sua mãe, Rebeca, decide voltar à terra natal, de onde saiu atormentada pela vergonha e pelo medo.
É nesse lugar que Ana Clara começa a sentir seu poder transformador e decide seguir seu coração: ao se descobrir uma Filha da Luz, a jovem se depara com uma série de misteriosos pergaminhos com instruções para que ela e todos os outros Predestinados assumam sua missão de promover a felicidade no planeta. E a saga não termina aqui: há muito mais a ser desvendado e transformado no mundo.
Ana Clara recebe mais e mais pergaminhos, e enigmáticas mensagens exigirão ainda muito tempo e energia para que sejam completamente decifradas.
FONTE: Internet.
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LIVROS
MORRE ESTAMIRA, mas sua mensagem ficará impregnada em cada um daqueles que lutam por dias melhores.
Jornal Foha de São Paulo
Ontem a tarde (27 de julho de 2011) Estamira Gomes de Souza, mulher negra da classe trabalhadora, catadora de lixo no Aterro do Gramacho (Rio de Janeiro) nasceu ao contrário. Tinha 72 anos e morreu cansada, mal cuidada e principalmente: não ouvida (paradoxalmente tão escutada no mundo inteiro). A protagonista do filme que leva seu nome, dirigido por Marcos Prado e lançado em 2004 agonizou por horas no Hospital Miguel Couto, na Gávea, desassistida pelo SUS e incapaz – como a imensa maioria dos trabalhadores – de comprar sua assistência em um hospital particular.
Os trocadilos apontam que a razão de sua morte se chama ‘septicemia’, uma infecção generalizada. Poderiam dizer que por ter transtornos mentais, Estamira deveria ter sido assistida em um asilo, ou um hospital/hospício psiquiátrico para que de lá não saísse e morresse em paz, longe do lixo, das moscas, longe da família, longe daquele mar que lhe era tão importante. Do outro lado, os que acreditam cegamente nos governos, acreditam que a construção da rede de atenção psicossocial substitutiva à lógica manicomial está consolidada, amplificada e atuante. Não desconsideramos os avanços da instalação da rede, determinada pela lei 10216/2001. Mas, como Estamira nos alertou: existe esperteza ao contrário, não inocência.
De toda forma, Estamira passou sua vida em pé, trabalhando, replicando sua existência dentro dum lixão, desatenta aos levantes manicomiais de empresários-da-saúde-mental que discorrem trocadilos sobre técnicas arcaicas repaginadas, assistência integral, novos medicamentos, cuspindo cifras.. Alheia aos professores de Psicologia que passam o filme nas aulas e todos saem das salas com mal estar, surpresos, com pena. No ano que vem, uma nova turma assistirá sua história. Tudo bem: esta arte nos permite a distância, a contemplação, o não envolver-se e o não implicar-se.
Escutamos Estamira e observamos mais uma que sofre numa massa de trabalhadores negros, homens e mulheres que apodrecem todos os dias. Estamira é apenas mais uma entre os milhares de loucos da classe trabalhadora que já não valem mais nada ao sistema do capital e que por isto – e só por isto – são jogados no lixo para se confundirem ao inútil e ao descuido nos aterros e favelas do país.
O cinismo deste sistema traveste seu discurso delirante, denunciativo, agressivo e violento em “poesia”, “uma forma atípica de expressão”, “obra de arte”. Esta forma de arte não nos importa. Não queremos lembrar de Estamira apenas quando seu filme recebe mais um prêmio internacional. Acreditamos que não basta lamentar sua morte em cento e quarenta caracteres, num pio. Reivindicamos a vida e obra produzida ao longo dos dias de vida de Estamira. Com todos os seus direitos humanos negados, todos os serviços de saúde de má qualidade, sua péssima condição de moradia, seu trabalho precarizado, a educação negada. Seus e de todos os trabalhadores.
Não nos interessa a mera constatação de que algo vai errado. Interessa a luta pela efetividade da atenção à saúde mental no Brasil. Interessa a consolidação de equipes multidisplinares, a efetivação da Reforma Psiquiátrica, a redução de danos, a porta aberta nos equipamentos, a defesa intransigente de uma vida digna e sem desigualdade social para todos os trabalhadores. Lutando, honramos Estamira e todos os seus irmãos e companheiros desconhecidos, que nunca estrelarão um filme mas que também querem visitar o mar.
Estamira! Mulher negra, resistente, trabalhadora!
Presente!
César Fernandes, psicólogo militante do PSOL Curitiba, da luta contra os manicômios e pela construção do socialismo.
Os trocadilos apontam que a razão de sua morte se chama ‘septicemia’, uma infecção generalizada. Poderiam dizer que por ter transtornos mentais, Estamira deveria ter sido assistida em um asilo, ou um hospital/hospício psiquiátrico para que de lá não saísse e morresse em paz, longe do lixo, das moscas, longe da família, longe daquele mar que lhe era tão importante. Do outro lado, os que acreditam cegamente nos governos, acreditam que a construção da rede de atenção psicossocial substitutiva à lógica manicomial está consolidada, amplificada e atuante. Não desconsideramos os avanços da instalação da rede, determinada pela lei 10216/2001. Mas, como Estamira nos alertou: existe esperteza ao contrário, não inocência.
De toda forma, Estamira passou sua vida em pé, trabalhando, replicando sua existência dentro dum lixão, desatenta aos levantes manicomiais de empresários-da-saúde-mental que discorrem trocadilos sobre técnicas arcaicas repaginadas, assistência integral, novos medicamentos, cuspindo cifras.. Alheia aos professores de Psicologia que passam o filme nas aulas e todos saem das salas com mal estar, surpresos, com pena. No ano que vem, uma nova turma assistirá sua história. Tudo bem: esta arte nos permite a distância, a contemplação, o não envolver-se e o não implicar-se.
Escutamos Estamira e observamos mais uma que sofre numa massa de trabalhadores negros, homens e mulheres que apodrecem todos os dias. Estamira é apenas mais uma entre os milhares de loucos da classe trabalhadora que já não valem mais nada ao sistema do capital e que por isto – e só por isto – são jogados no lixo para se confundirem ao inútil e ao descuido nos aterros e favelas do país.
O cinismo deste sistema traveste seu discurso delirante, denunciativo, agressivo e violento em “poesia”, “uma forma atípica de expressão”, “obra de arte”. Esta forma de arte não nos importa. Não queremos lembrar de Estamira apenas quando seu filme recebe mais um prêmio internacional. Acreditamos que não basta lamentar sua morte em cento e quarenta caracteres, num pio. Reivindicamos a vida e obra produzida ao longo dos dias de vida de Estamira. Com todos os seus direitos humanos negados, todos os serviços de saúde de má qualidade, sua péssima condição de moradia, seu trabalho precarizado, a educação negada. Seus e de todos os trabalhadores.
Não nos interessa a mera constatação de que algo vai errado. Interessa a luta pela efetividade da atenção à saúde mental no Brasil. Interessa a consolidação de equipes multidisplinares, a efetivação da Reforma Psiquiátrica, a redução de danos, a porta aberta nos equipamentos, a defesa intransigente de uma vida digna e sem desigualdade social para todos os trabalhadores. Lutando, honramos Estamira e todos os seus irmãos e companheiros desconhecidos, que nunca estrelarão um filme mas que também querem visitar o mar.
Estamira! Mulher negra, resistente, trabalhadora!
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